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quarta-feira, 31 de março de 2010

Balançar - Mafalda Veiga



Pedes-me um tempo,
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..

Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.

Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...

Prendes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.

E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor. (...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.


Fernando Pessoa,

in 'O Rio da Posse'

A saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos ?

Fernandes , Millôr

domingo, 17 de maio de 2009


Bom, então vamos a um exercício muito gostoso, eficiente e, o melhor de tudo, que não precisa ser realmente aprendido, pois sabemos praticá-lo desde sempre. O exercício é ESPREGUIÇAR-SE!

Isto mesmo, vocês não imaginam o poder de cura que tem o acto de se espreguiçar. É engraçado que ás vezes até isto deixamos de fazer de tão duros e desconectados que vamos ficando.

Assim, vai a dica:

Ao acordar, ou em qualquer outro momento do dia, tire 5 minutos para se espreguiçar. Estique tudo, cada pedacinho do seu corpo, sentindo o prazer de cada movimento. Não force nada, deixe ser bem espontâneo. Boceje, faça sons estranhos, contorça-se, crie e relembre seus tempos de espontaneidade. Não pare, não deixe a cabeça ficar controlando os movimentos, continue se movimentando e buscando o simples prazer que isto traz. Haverá um momento em que naturalmente sentirá que está bom, que acabou. Então respire fundo e "volte".
Depois de poucos dias praticando terá resultados surpreendentes como melhora no sono, no humor, na digestão, nas dores do corpo e inclusive na parte emocional. Experimente!!!


Aproveite o espreguiçar para alongar os músculos e prevenir dores, torcicolos, lombalgias e até (por mais incrível que possa parecer) celulite e enxaqueca.

Perfeita!



Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo

Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias

Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer

Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul

Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia

Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer

Será que é de febre este fogo
este grito cruel que da lebre faz lobo

Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri

Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda

Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes

Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar

Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão

Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo

Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir

Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós

Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar

Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra

Será que consegues ouvir-me dizer
que te Amo tanto quanto outro dia qualquer

Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia nem dia sem fim

Eu sei que me queres e me Amas também
me desejas agora como nunca ninguém

Não partas entao não me deixes sozinho
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.



Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais"

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

Tropfest NY 2008 winner, "Mankind Is No Island" by Jason van Genderen

O vencedor de 2008 foi este filme totalmente filmado com um telemóvel em Sidney e NY por Jason van Genderen. O seu orçamento foi de 40 dólares!

Lindo!